Como criar um Diagrama de Pareto: Guia completo em 5 passos

O "Princípio de Pareto", também muito conhecido como "regra 80/20" é um método para identificar problemas e planejar ações que minimizem ou evitem as suas ocorrências.

Quando um projeto, processo ou equipe encontra-se em uma situação crítica devido a problemas quantificáveis (em uma visão geral ou em uma departamento ou processo específico), é necessário agir de forma rápida, evitando danos e prejuízos maiores.

Saiba como utilizar o Gráfico de Pareto e sua representação gráfica para identificar a origem e causas dos problemas, e assim agir na tomada de decisões para solucionar os problemas mais críticos.

Princípio de Pareto

Quando o assunto é qualidade de produtos, processos e equipes, o Diagrama de Pareto (também chamado de Gráfico de Pareto) é uma das ferramentas da qualidade mais lembradas e utilizadas.

É comum ouvirmos a expressão “regra dos 20/80” ou ainda “lei dos 20/80”, mas o que exatamente é? O princípio de Pareto afirma que 80% dos problemas (também chamados de “efeitos”) são originados por apenas 20% das causas.

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O princípio, ou Lei de Pareto formulada pelo economista Vilfredo Pareto, estabelece uma relação matemática de relação proporcional de 2 para 8. De forma clara e direta: 8 de cada 10 problemas, são fruto de apenas 2 causas.

Considerando o que Pareto sugere, é possível resolver 80% dos problemas, agindo exclusivamente em 20% das causas ou origens.

A utilização da lei de Pareto não se restringe à um setor ou segmento específico, seu uso pode e deve ser aplicado em qualquer ambiente e cenário onde existam problemas identificáveis e quantificáveis.

Diagrama de Pareto

O Diagrama de Pareto é uma ferramenta muito eficiente de auxílio na gestão de crise em projetos ou equipes, e também pode ser utilizado para melhorar processos de negócio que sofrem com erros pontuais.

A Lei ou Princípio de Pareto serve como base para a criação do Diagrama de Pareto (muitas vezes chamado também de Gráfico de Pareto), que nada mais é do que a representação visual das informações referentes às origens e causas, e dos efeitos e resultados provocados por eles.

A origem e construção do diagrama é baseada no que afirma o princípio de Pareto, tendo como premissa, representar graficamente as ocorrências de eventos, sua quantidade individual e absoluta, possibilitando assim a visualização e interpretação das causas que correspondem ao maior número de ocorrências.

Como fazer um Diagrama de Pareto?

Ainda que pareça complexo e difícil, fazer um diagrama de Pareto é uma atividade simples, desde que você possua os dados mínimos necessários.

O único requisito necessário para elaborar o gráfico de Pereto é ter em mãos os dados sobre as causas das ocorrências, e o número que cada uma delas foi constatada.

O mapeamento desses dados pode ser feito facilmente utilizando uma planilha de Excel, bloco de notas, ou uma ferramenta específica. O importante é garantir que cada problema ou defeito, tenha sua causa identificada e contabilizada.

Com o passar do tempo, você terá em mãos não só uma visão sobre a correspondência das causas que originaram problemas, mas também uma base histórica preciosa para a análise de processos, garantia de qualidade e também para o apoio na tomada de decisões e planejamento estratégico.

O diagrama proposto por Pareto, tem a função básica de organizar e relacionar as informações em três principais dimensões: causas, número de ocorrências e percentual de ocorrências total.

Explicação detalhada das informações e dados existentes no gráfico de pareto.
Explicação detalhada das informações e dados existentes no gráfico de pareto. Basicamente ele é composto por 5 principais informações: lista das causas/eventos, quantidade de ocorrências individuais de cada causa, escala de ocorrências totais, escala de percentual, e linha de evolução das ocorrências. Fonte: alff, f. R.

Causas, eventos ou problemas

  • No exemplo corresponde ao item “A”.
  • É normalmente representada como barras, ordenadas em ordem decrescente, segundo a quantidade absoluta de ocorrências de cada causa, da esquerda para a direita.
  • Uma vez que a ordenação é relacionada à quantidade de ocorrências, é correto afirmar que as barras à esquerda possuem maior criticidade ou importância.
  • Entende-se como “causa” toda ocorrência positiva ou negativa, que gera um “efeito”, que também pode ser positivo ou não.
  • Exemplos de “causas” em uma projeto de software:
  • “Dificuldade de contratação de especialistas”
  • “Rotatividade de colaboradores”
  • “Falta de licenciamento das ferramentas”
  • Levantamento de requisitos incorretos
  • Mudanças de escopo e prazo”
Primeiro componente do diagrama de pareto: lista de ocorrências ou eventos.
Primeiro componente do diagrama de pareto: lista de ocorrências ou eventos. Fonte: alff, f. R.

Ocorrências absolutas (ou frequência de ocorrências)

  • Os números de ocorrências absolutas são representados no item “B”.
  • A dimensão de frequência representa a ocorrência das causas no cenário absoluto, partindo do 0, e acumulando as ocorrências de cada causa até o atingimento do número total.
  • É representado no gráfico de Pareto como uma dimensão de escala, posicionada normalmente à esquerda do gráfico.
Segundo componente do diagrama de pareto: escala da quantidade total de ocorrências
Segundo componente do diagrama de pareto: escala da quantidade total de ocorrências. Fonte: alff, f. R.

Percentual de frequência

  • A escala do percentual relativo e acumulativo das ocorrências é representado na o exemplo pelo item “C”.
  • Representa de forma proporcional a correspondência percentual de cada causa.
  • É representada em formato de escala, posicionada à direita do gráfico.
  • A escala inicia em 0%, que é correspondente à 0 ocorrências, e vai gradualmente estabelecendo a relação proporcional. No exemplo, 0% equivale a 0 ocorrências, 20% à 4 ocorrências, 40% à 8 ocorrências, e assim sucessivamente, até o atingimento total das ocorrências (20).
Terceiro componente do diagrama de pareto: escala do percentual acumulado das ocorrências.
Terceiro componente do diagrama de pareto: escala do percentual acumulado das ocorrências. Fonte: alff, f. R.

Linha de evolução

  • O item “D” do exemplo representa a linha de evolução cumulativa das ocorrências.
  • Essa linha representa o total de ocorrências acumuladas pela soma de das ocorrências de todas as causas individuais.
  • Seu início se dá na primeira barra da esquerda, ou seja na ocorrência mais comum, e vai acumulando o número da ocorrência de cada causa, até atingir o total absoluto de ocorrências.
  • Quantidade de ocorrências das causas
  • No diagrama de exemplo, o item “E” representa a quantidade individual de ocorrências de cada causa.
  • O número individual de ocorrência não é um padrão obrigatório ao fazer o Diagrama de Pareto, mas muitos profissionais fazem questão de incluir esse dado, uma vez que ela pode auxiliar na interpretação das informações.
Quarto componente do diagrama de pareto: linha da evolução das ocorrências a partir de cada causa.
Quarto componente do diagrama de pareto: linha da evolução das ocorrências a partir de cada causa. Fonte: alff, f. R.

Quantidade de ocorrências das causas

  • No diagrama de exemplo, o item “E” representa a quantidade individual de ocorrências de cada causa.
  • O número individual de ocorrência não é um padrão obrigatório ao fazer o Diagrama de Pareto, mas muitos profissionais fazem questão de incluir esse dado, uma vez que ela pode auxiliar na interpretação das informações
Quinto e último componente do diagrama de pareto: quantidade individual de ocorrências de cada evento ou causa.
Quinto e último componente do diagrama de pareto: quantidade individual de ocorrências de cada evento ou causa. Fonte: alff, f. R.

Como analisar o diagrama de Pareto

A “leitura” do gráfico é extremamente simples e intuitiva, em nosso exemplo de diagrama de Pareto é possível observar que a causa “requisitos incorretos” teve 10 ocorrências durante o período de tempo analisado, o que representa 50% do total absoluto de ocorrências.

Exemplo de diagrama de pareto que será utilizado neste artigo o passo a passo de como fazer.
Exemplo de diagrama de pareto que será utilizado neste artigo o passo a passo de como fazer. Fonte: alff, f. R.

Entende-se por “total absoluto de ocorrências” ou “total absoluto de eventos” a soma total das ocorrências de todas as causas, ou seja, a quantidade total de ocorrências no período considerado.

Já a causa “rotatividade de colaboradores” acumulou no período 5 ocorrências, que individualmente correspondem a 25% de todas as ocorrências.

Somando essas duas primeiras causas, chegamos ao número acumulado de 15 ocorrências, o que representa 75% de todas as ocorrências do período.

O gráfico nos indica que no cenário, ¾ dos problemas analisados foram originados por apenas 2 causas, ou seja, 20% das causas geraram 75% das ocorrências.

Neste exemplo, podemos considerar que o “princípio de Pareto” foi constatado, uma vez que 20% das causa, ocasionaram 80% das ocorrências, é óbvio que o termo “Lei de Pareto” é figurado, e a proporção “80/20” ou “20/80” é apenas conceitual, e não regra.

Conclusão

É claro que não existe fórmula mágica para resolver os diferentes tipos de problemas que podem ser encontrados em uma empresa, mas existem ferramentas que podem ajudar na identificação e resolução da maioria deles.

O princípio de Pareto através do gráfico ou diagrama de Pareto é uma dessas ferramentas, sua implementação, utilização e interpretação são fáceis e rápidas, e não necessitam de grandes conhecimentos especializados, uso de software ou emprego de recursos financeiros.

Juntamente com outros métodos, técnicas e ferramentas de garantia de qualidade, gerenciamento de projetos e planejamento estratégico, é possível gradualmente identificar quais são e porque ocorrem os problemas, para então definir um plano de ação com medidas para evitar, reduzir e até mesmo sanar a ocorrência de tais problemas.

Gerenciamento de projetos e gestão da qualidade

A utilização do princípio de Pareto é uma ferramenta útil para qualquer gestor da qualidade e também para gestores de equipes, Scrum masters, product owner e gerentes de projeto. Para conhecer mais técnicas, metodologias é ferramentas de gestão, sugerimos os seguintes artigos que publicamos anteriormente:

Francilvio Roberto Alff

Olá! Eu sou Francilvio Alff, mas você pode me chamar de Chico Alff. Vou fazer o m3u jabá rapidinho, eu prometo! :D Minha formação acadêmica é diversificada, com raízes em Engenharia de Software e Análise e Desenvolvimento de Sistemas para a Internet. Também mergulhei na História e na Língua Italiana em minha jornada acadêmica, embora essa aventura ainda não tenha sido concluída. Meu primeiro contato profissional e real com o incrível mundo dos sistemas foi em 2007, enquanto fazia a minha primeira graduação na Itália. Trabalhei na implantação da solução Orange Salsa para a gestão dos "informatori scientifici del farmaco" na colossal multinacional farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK). Com o passar dos anos, me vi cada vez mais envolvido pela tecnologia, e ao longo dessas quase duas décadas, me especializei em Engenharia de Software, mais precisamente nas disciplinas de Análise de Requisitos, Análise de Negócios e Gerenciamento de Projetos. Nesse percurso, trabalhei em projetos desafiadores para a administração pública, soluções de ERP para o varejo e indústria, inteligência artificial aplicada em soluções IOT e linguagem neural.. Em 2011 fundei juntamente com um velho amigo e tutor o site https://AnalisedeRequisitos.com.br que mantenho até hoje como uma prova viva do meu comprometimento com a engenharia de software. Minha determinação e meu desejo constante de aprender continuam me impulsionando em direção ao futuro, onde pretendo continuar unindo minha paixão pela tecnologia com meu amor pela aprendizagem e minha curiosidade insaciável. Junte-se a mim nessa jornada!

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